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DataGramaZero

A leitura segundo Merleau-Ponty

CALDIN, Clarice Fortkamp. A leitura segundo Merleau-Ponty. DataGramaZero, Rio de Janeiro, v. 12, n. 1, fev. 2011. Disponível em: <http://www.dgz.org.br/fev11/Art_01.htm>. Acesso em: 19 fev. 2011.

Resumo
Merleau-Ponty, filósofo partidário da corrente de pensamento chamada fenomenologia, criou uma teoria da expressão, em que a linguagem é gesto expressivo, pois faz parte do mundo da existência. Advogou que a leitura é um confronto entre o corpo da fala do autor e o corpo da fala do leitor. Para ele, o objeto estético decorre da experiência da leitura, produzida tanto pelo texto como pelo leitor, contrapondo-se, assim, a Sartre, que defende a primazia do leitor. Para Merleau-Ponty, a experiência da leitura é o momento especial em que, instigado pelo texto, o leitor transforma a fala falada (os signos que autor e leitor compartilham) em fala falante (os vários significados que o texto literário enseja). A partir de sua teoria da expressão, infere-se: a leitura é um fenômeno corporal (texto, autor e leitor desfrutam de um corpo), descentrado (o autor permite que o leitor adentre seu campo de presença e o mesmo faz o leitor com o autor), transcendental (o leitor vai além do pensamento do autor), temporal (a universalidade estética é retomada pelas retenções e protensões) e terapêutico (propicia um envolvimento salutar entre autor e leitor).

Palavras-chave: Leitura – Fenômeno corporal; Leitura – fenômeno descentrado; Leitura – fenômeno transcendental; Leitura- fenômeno temporal; Leitura – fenômeno terapêutico.

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